Histórias de Impacto
Pelmina, 20 anos – queimaduras, silêncio e libertação
Um passo de cada vez, rumo à dignidade.
Pelmina tem apenas 20 anos, mas carrega nas pernas uma história marcada por dor e superação. Quando tinha apenas 5, um cobertor em chamas envolveu seus pezinhos enquanto dormia — consequência da negligência de sua mãe, embriagada. A parte frontal dos dois pés foi carbonizada e precisou ser amputada.
A partir daquele dia, Pelmina deixou de ser vista como criança. Foi chamada de “inútil”, trancada em uma cabana de barro escura, impedida de sair, forçada a passar seus dias lavando roupas e pratos sentada no chão frio. O mundo lá fora era proibido. Sua infância foi roubada.
Mas a esperança encontrou um caminho.
Vizinhos corajosos denunciaram a situação e Irmã Tendai, com apoio da polícia, resgatou Pelmina daquela prisão invisível. Hoje, ela vive na CaMeJe, acolhida por pessoas que a enxergam com amor, respeito e potencial.
Mesmo sem parte dos pés, Pelmina aprendeu a andar novamente — primeiro com dor, depois com coragem. Agora, pela primeira vez, ela experimenta algo que nunca imaginou: um par de sapatos feito especialmente para ela.
Ela sorri como quem reencontra a liberdade.
Apesar do formato dos calçados lembrar cascos de cavalo — o que a incomoda um pouco —, Pelmina diz algo que emociona: “Nunca andei com tanto conforto. Parece que estou voando.”
Histórias como a de Pelmina nos mostram que pequenos gestos podem transformar vidas.
Com sua doação, podemos oferecer mais do que sapatos. Podemos devolver dignidade, liberdade e um novo começo.
Manuel, 8 anos – o milagre entre as mandíbulas
Novos passos para a liberdade.
Ao atravessar um pequeno rio sobre estacas de madeira, Manuel escorregou e caiu nas águas turvas. O marrom das águas ficou vermelho com o seu sangue, pois ele foi pego por um crocodilo.
O que veio a seguir é difícil de imaginar. Sua irmã mais velha, uma menina de apenas 13 anos, foi quem se atirou ao perigo para salvar a vida de Manuel. Com coragem e determinação, ela o arrancou das mandíbulas da morte.
Levado ao hospital, inconsciente e perdendo muito sangue, foi atendido somente horas depois. Sua perna já não podia ser salva. A amputação foi feita na altura do quadril.
O menino que antes corria e brincava pela vila agora precisaria enfrentar uma nova vida, marcada por uma dor profunda e mudanças radicais. Sua sobrevivência, disseram os médicos, foi um milagre.
Hoje, com 8 anos, Manuel volta a sorrir. Ele sonha em brincar como antes e ir à escola caminhando com os próprios pés.
E esse sonho começa com algo simples, mas precioso: uma prótese.
Tarissai, 18 anos – a menina que gritou de alegria
Como é bom ser grande!
Tarissai perdeu as duas pernas ainda bebê, por causa de uma infecção grave — uma amputada acima do joelho, a outra abaixo.
Sem condições de ser levada à escola diariamente, foi abandonada em casa, onde passava os dias em silêncio, sonhando em cantar, ler e fazer contas. Ela amava aprender… mas estava aprisionada em um corpo que o mundo havia esquecido.
Aos 18 anos, recebeu suas primeiras próteses, aparelhos simples, quase improvisados. À primeira vista, os pés parecem errados: o esquerdo na perna direita e o direito na esquerda. Quando ela se levanta com a ajuda dos técnicos e dá os primeiros passos, é impossível conter o riso diante da cena. Mas não porque seja engraçado… e sim porque é comovente. Porque é ali, naquele tropeço inocente, que a vida dela começa a mudar.
Brinco com ela: cruzo minhas pernas, finjo cair e digo: “Tarissai, você vai ter que andar assim por enquanto!” Todos rimos, inclusive ela. Pela primeira vez, talvez, em muito tempo, a alegria começa a romper o sofrimento, como um raio de sol após a tempestade.
Os técnicos seguem ajustando, parafusando, colando… Até que Tarissai se levanta com as duas próteses colocadas de forma correta.
Ela fica parada por um segundo, olha em volta, sorri surpresa e diz: “Uau, eu estou tão grande! Muito grande!”
A alegria estampada no rosto dela é algo que palavras não conseguem alcançar. É um momento que jamais se esquece.
Histórias como essa só se tornam possíveis com a ajuda de pessoas como você. Cada doação é uma semente de esperança, e com elas estamos reconstruindo vidas.

